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Perfil: Professor de Inglês

De “Big Teacher” a “Good Friend”

Um professor de inglês que, com método único e iniciativa social, possibilita o acesso ao idioma para muitas pessoas

Suellen de Oliveira

São Josefinas, Felisbinos, Josenaldos, Astrolvos, Crepúcios, Felisbestas, entre muitos outros nomes que passam ou passaram pela Rua Ernesto Alves Filho. Nem perto nem longe do centro da cidade de Campinas, um sobrado com um grande portão chama atenção nesta rua, na parte externa somente um interfone, que ao ser tocado: Open the gate!

Quando o portão se abre é possível observar uma escada, ao subir, uma varanda com duas portas que dão acesso a uma grande sala, e de repente:

– Hello Boys! Hello Girls!

De calça jeans, sapato, uma camisa de cor bem alegre, óculos, cabelos pouco longo, mas pouco falhos e aspecto bem animado, o professor entra e começa sua aula.

– Quero ver quem fez a lição! Quem não fez vai ter que escolher, ou dança o ballet ou come a buchada!!!

E todos caem na risada!

-Vai, quero ver a Sandy e o Junior desta mesa?! Acho que as Spice Girls daquela estudaram mais… “point for the girls”!

Sete mesas, dois quadros brancos – um em cada extremidade da sala – um armário com livros e dicionários, outro com TV, som, todo o equipamento necessário para deixar a aula animada, e alguns alunos, compõem o ambiente, e a aula continua.

– My God! Os Backstreet Boys não fizeram a lição? Teacher jump!

E corre para a sacada como quem vai mesmo pular de lá de cima. Os alunos se assustam! Mas logo vêem que é só mais uma brincadeira desse professor, completamente, “normal”!

Entre risos, brincadeiras, exercícios, música, conversações, encenações, vídeos e trocas de experiência, a aula continua. Mas duas horas são poucas para tudo isso, e a aula termina quando menos se espera.

Os alunos despedem-se, com alguns exercícios para se fazer em casa, e o professor se prepara para mais uma aventura com a próxima turma.

A língua que se espalha pelo mundo, mas ainda não, completamente, pelas ruas e ladeiras do Brasil, já é o idioma globalizado e requisito número um nas disputas pelas melhores vagas de empregos no país. Porém o ensino que se encontra em uma escola pública é apenas uma base, com isso, a cada ano aumenta a busca por escolas particulares que ensinam o inglês, e atualmente cerca de 20 milhões de brasileiros estudam o inglês. Mas esse alto índice de procura por cursos particulares fez com que os valores desses cursos aumentassem, o que dificulta o acesso para várias pessoas, principalmente, para as classe C, D e E.

O inglês é a segunda língua mais falada no mundo, com cerca de 508 milhões de falantes, perdendo somente para o mandarim com 1bilhão e 52 milhões. E quando se refere a nativos falantes ele ocupa a terceira posição no ranking com 341 bilhões de falantes nos EUA, na Inglaterra, Austrália, Canadá, entre outros, perdendo para o mandarim com 874 bilhões de falantes na China e para o híndi, na Índia, com cerca de 366 milhões de falantes nativos.

O inglês a cada segundo que passa ganha mais proporção, até mesmo o cinema, criado na França, pelos irmãos Lumière, vinte anos depois estava em Holliwood, e hoje 90% dos filmes produzidos no Mundo são em inglês.

Aos 50 anos de idade, Luiz Carlos da Silva, leciona aulas de inglês na parte superior de um sobrado, ao lado de sua casa, no Jardim Campos Elíseos, o qual construiu após anos de muito trabalho e dedicação.

Nascido em Araponga, no estado do Paraná, Luiz mudou-se para Campinas em 1980, ao lado do pai, da mãe e de seus dez irmãos. Após um mês vivendo na nova cidade conseguiu trabalho em uma indústria, a Mercedez Bens, e lá ficou por quase 12 anos.

Trabalhava em vários turnos, semanas durante o dia, outras durante a noite e esse foi um dos motivos que dificultou seu retorno aos estudos, afinal, faltava-lhe concluir o ensino médio e Luiz traçava essa conclusão como um de seus objetivos.

E foi com muito esforço, que administrou as horas de seu dia e correu atrás do tempo perdido. Muito aplicado, a cada momento livre estudava na ânsia de alcançar um curso de nível superior.

– Eu sempre achei que o professor era alguém que sabia tudo, e por isso, sempre quis ser professor.

– Eu sempre fui fanático por línguas, e o inglês é uma coisa que veio desde a época que eu estudava, eu me dava bem nas disciplinas de inglês, queria falar, me interessava bastante, e com o pouco que eu sabia, todos achavam que eu era “bom” no inglês.

Luiz não é o único encantado pelo aprendizado dessa língua, também apaixonada pelo inglês, aos 37 anos, Ana Lúcia Santos Chancharulo aproveita a oportunidade para estudar inglês.

Sem exigência profissional, simplesmente, enfeitiçada pela beleza e pelos mistérios do idioma, desde muito jovem sempre tentou aprender, mas lhe faltavam oportunidades.

-Acompanhava músicas internacionais, tentava cantar, mesmo sem compreender o significado, mas com todos os cuidados de uma pronúncia correta.

E hoje, Ana conta que toda essa vontade e procura pela oportunidade lhe serviu como grande auxílio quando conseguiu, realmente, estudar a língua.

Cursos gratuitos e há quase dois anos um particular, o qual, como muitos que se encontram por várias esquinas, não era tão aplicável quanto os anseios dessa jovem mulher, que busca nos ensinamento de um idioma sua identidade da juventude.

Mas sua insatisfação era visível, assim, uma amiga lhe indicou um professor, que pudesse suprir suas necessidades.

– Quando ela me disse ‘o cara é fera’, o procurei imediatamente!

Luiz Carlos tornou-se parte fundamental na vida de Ana, a paixão pelo inglês está amadurecendo, e se tornando amor a cada nova quinta-feira, quando sobre aquelas escadas, senta-se na primeira mesa e durante toda aula, além de se divertir, se realiza.

-Ele é meu mestre, é único, excelente, seu ensino é inovador, e deveria servir de exemplo para outras escolas, porque aqui ou aprende ou aprende!

Com um sorriso sincero e muito agradável, o qual carrega, além de antigas paixões pela língua, grandes responsabilidades do presente, como uma família e a filha de sete anos de idade, Ana por onde passa cativa as pessoas com seu bom humor e algumas pitadas de palavras sinceras.

Hoje além de professor e aluno, com pouco mais de um ano de curso, ela afirma:

– We are good friends!

E brinca:

– Inglês para mim é mais que aprender, estudar, cantar e dialogar, é uma terapia!

Com risos diz que deveria ter aproveitado a oportunidade para responder todas as indagações em inglês, assim já treinava para a aula.

Admirada com a atitude de seu mestre, em oferecer a oportunidade de estudo para várias pessoas com valores mais acessíveis, a romântica, mas exigente auxiliar administrativa, afirma que oportunidades existem, mas as pessoas precisam correr atrás.

Mesmo que não utiliza o inglês em seu trabalho, o qual atua com todo o profissionalismo, acredita que ele é indispensável para o crescimento profissional, e se aplica em aprender para um dia realizar alguns sonhos, os quais, sem muitos detalhes, revela que o inglês será peça indispensável, pois como ela mesma retrata, ele já faz parte de sua vida, mesmo que não aplicado em seu dia-a-dia.

Para o professor o idioma esteve sempre presente, desde pequeno, louco por línguas, se imaginava viajando e se aventurando pelo mundo todo. Mas sua aventura já iniciava naquela época de sonhos, na fazenda onde cresceu com os irmãos, mas não foi uma aventura como a tão sonhada, se resumiu a trabalho e dificuldade. Com 10 anos já ajudava o pai no plantio de milho, feijão e arroz.

– Aquela época foi muito difícil, a gente trabalhava hoje, para comer amanhã.

Luiz, como terceiro filho da família Silva, acabou ficando responsável pelos irmãos quando os dois mais velhos foram viver na cidade, e revela que as recordações que restaram daquela época foi o trabalho pesado, a tristeza de ver os irmãos trabalharem e se desgastarem carregando o que poderia levar comida à mesa do dia seguinte, entre os sobe e desce das montanhas que cercavam a região onde viviam.

Mas com 20 anos, ele e toda a família saíram em busca de uma nova oportunidade, o pai queria que os filhos estudassem, pensaram ir para São Paulo, mas como era uma cidade muito grande, e muitas pessoas estavam seguindo para Campinas, se decidiram e partiram com a cara e a coragem, e uma pequena mala de roupas embaixo do braço.

Ao descer na rodoviária de Campinas, tudo novo, sem nada nem ninguém, na cidade apenas um primo, que nem sabiam como encontrá-lo, assim a primeira noite passaram em um hotel, mas logo encontraram uma casa para alugar no Jardim Londres, onde moraram por um bom tempo.

Mas já nessa mudança, o pai seu Gonçalo da Silva, apresentava problemas de saúde, e os filhos precisaram correr a trás e trabalhar para o sustendo do lar.

Com apenas um mês na nova cidade e com a oportunidade de trabalho na Mercedez Bens, Luiz partiu rumo aos seus objetivos, queria concluir os estudos, pois no sítio que morava era muito complicado estudar pois, somente para chegar até o colégio, tinha que caminhar cerca de 8 Km. Mas em sua nova vida, seus horários de trabalho o impossibilitavam de se dedicar aos estudos, tinha que trabalhar, irmãos para cuidar, aluguel para pagar, e o pai doente para se preocupar.

E foi levando, sem descartar suas metas, mas a vida lhe proporcionava novos golpes e mais responsabilidades, e dois anos após se mudar, seu pai faleceu, com complicações no sangue.

Luiz Carlos se superou, continuou em seu trabalho, comprou vários livros e muito aplicado, estudava sozinho em seus poucos momentos livres. Em casa, no caminho para o trabalho, na hora do almoço, e qualquer outro minuto que restava era um incentivo para caminhar no sentido de seu sonho.

Eram provas e mais provas, em varias cidades em outros estados, Espírito Santo, Rio de Janeiro, pegava o ônibus, fazia a prova e voltava direto para o trabalho. E foi assim que conseguiu concluir os estudos e partiu para a faculdade.

Seu trabalho lhe oferecia condição para investir em um curso superior, e entrou na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, o curso: Letras.

– Nem sabia ao certo o que era o curso de Letras, mas sempre encantado por línguas, tive uma namorada que cursava, pouco conhecia, resolvi arriscar e quando me dei conta estava na faculdade, sem muito conhecimento e percebi que precisava me empenhar ao máximo.

Sua vontade de ser professor desde pequeno foi caminhando naturalmente, sua paixão por línguas e o encanto com o inglês se uniram e ele conseguiu concluir a faculdade, depois de quatro anos de estudos, estudos, estudos e mais estudos.

Depois de formado, continuou trabalhando na empresa e ministrando aulas no período noturno em escolas estaduais.

Dois anos após a conclusão de sua faculdade, em 1992, saiu da empresa para dar aulas, e manter um varejão, que aos poucos se tornou um supermercado, onde cuidava da parte de verduras. E lá permaneceu por dez anos, entre rúculas, alfaces e outras folhas, no período da manhã, e com aulas durante a tarde e a noite, públicas e particulares, conciliando os três cargos.

De metalúrgico, verdureiro à professor de inglês, Luiz Carlos buscou aperfeiçoar-se sozinho nos livros, a partir das dúvidas e questionamentos dos alunos. Com sua humildade, o professor ao ser questionado revela que seu aprendizado veio realmente do dicionário.

– Quando você é cobrado, vai atrás aprende e não esquece, agora quando você estuda o geral, você estuda em cima de textos sem compromisso nenhum de passar aquilo.

Todo esse aprendizado foi surgindo de forma interessante em sua vida, afinal,  quando uma pessoa não sabe algo ao pesquisar descobre  outras e outras, fica envolvido, e foi assim que o mestre se envolveu e a cada nova busca por algo, encontrava novidades e se atraía ainda mais.

Mas sua curiosidade não veio somente dos questionamentos dos alunos, mas também por perceber a dificuldades de muitos colegas de profissão. Luiz não esquece um rapaz da faculdade que conseguia as melhores notas, mas não conseguia falar inglês, e o mesmo presenciou nas salas de professores dos colégios estaduais, os professores não falavam, apenas aplicavam a gramática aos alunos.

Curioso, dedicado e com o intuito de prestar todo o auxílio aos alunos, se envolveu e descobriu, sozinho, a imensidão deste idioma de importância mundial.

Com um suporte de madeira, algumas folhas e um pincel atômico, o professor decidiu lecionar aulas particulares dentro de sua própria casa, no ano de 1992, quando o Governo do Estado reduziu a carga horária de aulas de inglês nas escolas públicas.

Com apenas oito alunos, o professor abriu as portas de seu lar para oferecer a oportunidade aos que desejavam aprender o idioma. Pouco imaginava ele, que sua simples escola, no meio da sala de sua casa iria crescer tanto.

E foi crescendo, crescendo, crescendo, um indicando ao outro e assim por diante, o boca-a-boca foi expressivo, e quando se deu conta, já estava lecionando para uma turma. E aos poucos a escola foi surgindo, dois anos mais tarde, quando o país comemorava o tetra campeonato mundial, conseguiu comprar o terreno ao lado de sua casa, com um cômodo aos fundos, onde, por mais quatro anos, permaneceu transmitindo o ensino da língua. Foi quando construiu o sobrado, onde oferece as aulas atualmente.

– Eu nunca fiz muita propaganda, coloquei uma ou duas vezes uma placa aqui em frente, “curso de inglês”, mas não foi preciso, os alunos indicam, hoje dou aula para irmão, amigo e até filho de ex-alunos meus. Acho que Campinas inteira já ligou para mim!

Realmente o boca-a-boca foi um fator imprescindível para o surgimento e crescimento da escola, tanto que atraiu pessoas como Sandy e Junior, quer dizer, Vanessa e Rodrigo.

– Nossa relação com ele é muito amigável, ele nos chama de Sandy e Junior.

Brinca o estudante Rodrigo Augusto de Seixas, que aos 15 anos, já estuda o idioma e diz aproveitá-lo para varias atividades como ver filmes, acessar sites, em jogos, e muitas outras coisas, pois até o momento apenas cursa o 2º ano do ensino médio.

– Na verdade temos uma relação tão boa, que sempre que possível combinamos de comer uma buchada de bode com chocolate dançando ballet.

Conta aos risos Vanessa Gabriele de Seixas, se referindo as brincadeiras que o professor pratica em sala de aula. Com 19 anos, e muita determinação, a jovem e futura Administradora de empresas, faz questão de destacar que, por mais que seu interesse pelo inglês tenha surgido da curiosidade, o idioma sempre foi muito importante para si e, aos poucos, novas oportunidades surgem em sua vida. Na empresa em que trabalha o inglês é essencial, devido a estrutura que se encontra, assim os funcionários precisam saber outros idiomas além do português.

Um plus no currículo, é assim que a jovem acredita que o inglês é visto no mercado de trabalho, e por isso, aos poucos ganhou tanta importância e relevância. E como a cada ano que passa o mercado se torna mais competitivo, os que possuem um diferencial são os que mais se destacam. Mesmo quem não utiliza no trabalho, aos olhos de um contratante a pessoa que agrega um idioma no currículo, é vista como um “algo a mais” dentre os concorrentes, e por isso pode atingir melhores oportunidades.

Com seu método de ensino ímpar, o professor conquista a confiança dos alunos, e de vagarinho entra na mente de cada um deles, sem que percebam, até que aprendam, e quando se dão conta, o inglês já é algo natural. Para alguns sua forma de ensino é interessante, já para outros é excelente. Com seus personagens estranhos, mas divertidos, suas histórias acabam se tornando parte da vida dos alunos, como destaca Vanessa:

– Acordo já pensando na Josefina e no Josenaldo!

Sua empolgação contagia os alunos, Vanessa comenta que chega na aula e já recebe logo um bom dia animado, e assim, aos poucos, ele estimula que os alunos utilizem inglês durante a aula, tudo da forma mais natural possível.

– Acabo aprendendo naturalmente, como uma brincadeira, nunca vi como uma obrigação.

Os irmãos souberam da existência desse professor dentro do tatame, com a indicação de um amigo, que juntos, praticavam judô, e até hoje, contam que nunca encontraram alguém melhor. E Rodrigo afirma que o professor é único:

– Só faria inglês com outra pessoa se ele tivesse um irmão gêmeo, exatamente igual, em personalidade, e com mesmo jeito de ser e de ensinar, fora isso acho muito difícil.

Sempre em busca da perfeição, Luiz Carlos tentou utilizar vários materiais, mas nenhum supria todas as dificuldades que ele encontrava ao dar aulas. Os alunos cobravam muito, queriam ir além, e ele em busca do material ideal, algo “bom”, que realmente transmitisse o que os alunos buscavam. Mas essa busca foi constante e, quando achava que encontrava algo próximo do que procurava, aos poucos percebia as falhas.

E assim foi, até que aos poucos começou a escrever textos avulsos, com exercícios e explicações que auxiliassem os alunos nas dúvidas do idioma. Os alunos participavam das criações desses textos, sugerindo nomes, um tanto quanto incomuns, e aos poucos as histórias foram ganhando cara e identidade, e sem que ele mesmo percebesse, surgia um grande volume de papéis, cada qual voltado nível diferente, pois os alunos já eram classificados em níveis de conhecimento.

Cópias e mais cópias, eram exercícios para o lar, os famosos Home Work, que voltavam feitos, eram corrigidos na aula e, ali mesmo, o aluno recebia outro para estudar e trazer na aula seguinte.

Com os mais variados nomes, ele dava ênfase aos pronomes, assim, para qualquer aluno, sendo criança, jovem ou adulto, acabava se tornando mais fácil associar aos famosos He, She, It…

– Os alunos com uns nomes em destaque conseguiam identificar que Irídio era ele, ou seja, He, e assim por diante. As idéias iam se abrindo na cabecinha de cada um deles.

Com pilhas e mais pilhas de papéis acumulados por toda a escola, eram textos e complementos, o professor sentiu a necessidade de associar tudo isso, foi então que surgiu a idéia, se os livros não trazem o que o aluno precisa para aprender, ele precisava criar um material que trouxesse além da gramática necessária, também, exatamente, as carências dos alunos e o que eles precisavam para, realmente, aprender a língua.

Foi aí que surgiu o primeiro volume Everybory English, e aos poucos foram surgindo, livro 1, livro 2, livro 3…

E assim foi, hoje já são 6 livros adultos e 4 para os teens, o que totalizam um material com 10 volumes.

A criação desse material foi muito bem elaborada, por instantes, pensou em substituir os “nomes incomuns” por outros mais comuns, pesquisou e encontrou um a lista de quase 300 nomes para utilizar, seriam Bill, Mary, Sara, Patrick, entre outros…

Mas sua esposa Hiroko, resolveu palpitar, afinal, se o grande diferencial de suas aulas eram os nomes diferentes e a diversão que eles proporcionavam nas aulas, porque retirá-los? E foi então que o professor resolveu manter.

Iniciou com uma paquera, ambos freqüentando o mesmo bairro em que ele morava, e ela trabalhando no centro de saúde. Assim começou o namoro, que durou pouco mais de um ano, e em 1991 se casaram.

Juntos viveram por 2 anos em um apartamento no bairro Paulicéia, depois em uma casa no jardim Nóbrega por mais 2 anos, e só aí comprou a casa que vive hoje, com a esposa Hiroko Koyama da Silva, e seus dois filhos, Elisa Yumi Koyama da Silva, de 17 anos, e Matheus Koite Koyama da Silva, de 15 anos.

Todos muito reservados, afinal, a essência japonesa permanece nos ares desse lar, mas o professor conta que procura utilizar o inglês em casa também. Seus filhos, desde pequenos já sentiam a motivação, e uma de suas primeiras palavras, logo que pensaram em falar foi em inglês, como Dad, por exemplo. Mas como são muito reservados, não gostam de falar muito. O rapaz utiliza mais com o pai, porém, assim como todo bom oriental, responde o que lhe perguntam, sem mais nem menos, mas a moça não gosta de falar com ninguém, e nem quer seguir os passos do pai e da mãe, que é homeopata e acupunturista – e atende na parte inferior do mesmo sobrado onde ele leciona as aulas – ela quer fazer nutrição e se prepara para o vestibular.

-Ela não quer seguir nenhuma das duas profissões, nem minha, nem da mãe dela, acho que ouviu a gente falar demais quando era pequena. Já o Matheus ainda nãos e decidiu, está no primeiro ano do ensino médio ainda.

Comenta orgulhoso, e mostra que além de professor e mestre é também um grande pai de família.

Sua escola remete à simplicidade, e como se refere o próprio material por ele elaborado, o Inglês para Todos! É exatamente isso que ele procura, levar o inglês para os mais variados públicos, de forma que possibilite a muitas pessoas o acesso a essa língua.

Mas e os custos? Assim como a aparência de sua escola remete a simplicidade, seus custos são muito acessíveis, assim consegue atingir um maior número de pessoas, mas não é com a visão de lucro que ele tem essa atitude, muito pelo contrario, é por puro auxílio social, essa é a bandeira que ele levanta e carrega.

– Se eu quisesse deixar o lugar mais bonito, com um quadro melhor, cobrar mais e atingir a elite, eu iria trabalhar menos e ganhar mais. Mas e todo esse povo que freqüenta aqui, para onde iriam? Eu tenho alunos que já se casaram, mas os filhos, marido e irmãos continuam aqui. Então o que eu fiz, deixei uma coisa de aparência mais informal, nem tão bonita, mas que funciona por um preço mais acessível.

Com o objetivo de ajudar, há alunos que não possuem condição de pagar, mas nem por isso ele deixa de ensinar, muito pelo contrário, dá aula com todo o prazer, como para qualquer um outro, pois deixa claro que seu objetivo é ensinar.

– Já tive aluno que estudou por um ano e não pagou, tem aqueles que logo que ligam já avisam que não podem pagar, e eu acolho todos até quando é possível encaixar nas aulas. E eu não cobro, cada um paga quando pode e quando dá, porque o que eu quero é ensinar. Muitas vezes acabo vendo como um trabalho social, afinal, é uma ajuda para quem precisa e quer fazer o curso, mas não tem condição de pagar.

Há casos de alunos que não percebem a real importância de se ter um idioma para atingir o sucesso profissional, assim os pais precisam tentar mostrar como pode ser importante para que ingressem no curso e colham bons resultados.

O caso da aluna Francieli Oliveira, de 17 anos, a qual informa que o inglês nunca lhe despertou interesse, mas com o impulso vindo de casa decidiu iniciar o curso. Hoje vê as aulas do professor como uma diversão e não como uma obrigação.

– Na aula já falo em inglês, ele nos incentiva muito, isso é muito bom, pois mesmo sem gostar do idioma, estou aprendendo.

A mãe de Francieli, Sra Maria de Oliveira faz questão de ressaltar que a atitude do professor é maravilhosa, pois assim ele oferece oportunidade para várias pessoas e ressalta:

– Ela só não começou o curso antes, porque eu não sabia da existência do professor, porque se soubesse ela estaria cursando há muito tempo.

O professor diz também que há casos de pais que procuram porque os filhos pressionam, mas não pelo fato de visão profissional, pensando que talvez no futuro possa ser útil, mas sim para utilizar no vídeo game e até mesmo no computador.

Com esse desenvolvimento tecnológico aumentou a procura de pessoas mais jovens no curso, mas com esse intuito, para contribuir com o lazer, de certa forma.

A escola já faz parte da vida de Luiz Carlos, assim, Josefina, Josenaldo, Irídio, Felisbino, Felisberta, Astrovo, entre muitos outros nomes marcaram as vida do professor, em suas histórias que, com muita criatividade, refletem a realidade que os alunos vivem, de forma que, eles incorporem as idéias, os personagens e memorizem. Mas esses nomes não marcaram somente a história desse mestre, mas também a de milhares de alunos que já passaram por suas mãos.

A essência, o jeito e o gosto por dar aula vieram desde menino, quando sonhava em ser professor e um dia poder saber “tudo”, e isso faz parte dele é, extremamente, pessoal, não há quem tire e nem quem tente ser igual. Luiz Carlos da Silva não é somente mais um Silva que o Brasil possui, é alguém que, com paixão e dedicação, correu atrás de seus ideais, com esforço e responsabilidade conquistou seu espaço, e hoje ajuda como pode muitas pessoas que precisam de oportunidade, para que, como ele possam conseguir destaque na sociedade, mesmo que anonimamente, mas exclusivo para muitos. Mas ele é Luiz Carlos, que de tanto se dedicar a escola e aos alunos acabou esquecendo de si próprio.

A escola não somente faz parte de sua vida, como é um pedaço dele, e ele diz com todo o prazer, que não seria nada, se hoje resolvessem retirá-la de suas mãos.

– Já não me vejo mais sem a escola, minha vida ficou restrita a isso aqui.

Conta o santista de infância, que hoje acompanha somente voleibol, para agradar os filhos, chegou até a ir acompanhar o mundial de vôlei no Rio de Janeiro, no ano de 2008. Mas ele ainda carrega no sangue brasileiro sua habilidade no pé, e sempre que vê uma garotada brincando na rua, corre para o abraço e participa da pelada, só para se divertir e marcar um gol.

E não é somente na pelada na rua, com as crianças que o teacher marca um gol, mas também em sua atitude, ao prestar auxílio social para alunos que não possuem condições financeiras para fazer um curso de idioma.

Com um pouco de tristeza no olhar, Luiz Carlos diz que sua vida se resume, atualmente, na escola, em suas horas livres, no máximo vai ao supermercado, aos fins de semana ao shopping e cinema, e aos domingos de manhã visita a mãe e o irmão.

O professor diz que, hoje, quase não tem amigos, se dedica apenas ao trabalho e a família. Como trabalha demais, o pouco tempo que sobra é para a família, não dá tempo de receber nem visitar amigos.

– Eu fiquei tão focado nessa coisa de profissão que não tenho amigos, e acho que isso é uma coisa que faz falta, já abandonei completamente a religião, era católico, mas por falta de tempo fica inviável, abandonei praticamente tudo.

O professor que, às vezes, sente-se sozinho e aproveita o momento com os alunos para se distrair e se divertir, pouco imagina que, ao ouvir seus alunos, é notável que eles são seus verdadeiros amigos, e quando pensa que não tem nenhum , na verdade está rodeado de pessoas que o admiram e o consideram como o verdadeiro mestre.

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3 comentários

  1. Muito Bom o texto… Fiz curso c/ ele, parei mas vou voltar… Já indiquie muita gente p/ estudar lá… Não tem quem não goste.


    • Fico feliz que tenha gostado do meu texto Fabio… Realmente a aula dele é fantástica!
      Obrigada pelo comentário
      😉


  2. Oi Flor, não lembro como cheguei nesse seu texto, mas sabe de uma coisa? Eu fui aluno de número 37 dele. Isso mesmo! Em meados de 94, 95, ele chegou na escola André Fort (perto da casa dele), perguntando quem queria fechar uam turma de inglês com ele. No começo eram cópias e flipchart, e hoje, vejo o que ele conseguiu com tanta dedicação. E digo mais: não estou onde estaria se não fosse ele! Lido com indianos, chineses, australianos, americanos, enfim, gente do mundo inteiro no dia-a-dia, onde o inglês é fundamental. E tudo graças ao Luiz Carlos. Por favor, se você vê-lo, diga que mandei um abraço, e que ele nunca será esquecido!



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